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terça-feira, 24 de novembro de 2015

PEQUENO MONARCA


Chegou faceiro da escola
o piá gritando o motivo
passei, eu passei de livro
e já posso ganhar o petiço
me esforcei para isto
vocês fizeram promessa
e agora tenho pressa
de botar ele no serviço

Tirando do corta-passo
abriu o seu boletim
e foi lendo para mim
corrido e não soletrado
aprovado, aprovado
é isto que tá escrito
eu me agarrei no piazito
e disse um “sim” engasgado

Olhei para minha velha
e vi que também chorava
no avental enxugava
as lágrimas da emoção
nós três e o outro irmão
nos juntamos num abraço
acelerando o compasso
no bater do coração

Parabéns meu doutorzinho
disse ainda abraçado
o petiço tá comprado
amanhã tu buscas o bicho
e já passa no bolicho
lá da comadre Tereza
que tem pra ti uma surpresa
encomendada a capricho

Ah! Ah! a curiosidade
sarneu desde àquela hora
a mãe e o mano explora
ficam de bico calado
que será o encomendado
a pergunta é repetida
e a noite foi mais comprida
porque passou acordado

Nem quis tomar o café
pegou um freio no galpão
e no meio da cerração
se divulgava a figura
um homem em miniatura
faceirito com o presente
aquele ser inocente
com sua alminha pura

Gritou da estrada oh! de casa
a voz saiu meio rouca
o coração pela boca
queria saltar pra fora
vizinho chegou a hora
eu vim buscar o petiço
já batizei de Feitiço
na minha vinda agora

Fez questão de botar o freio
mesmo na ponta do pé
era metido o garnisé
pulou e montou sozinho
com a mão fez um carinho
dando um tapinha na anca
botou no bolso as tamancas
e carreireou no caminho

A boca lá nas orelhas
com as canjicas de fora
fazia o garrão de espora
cutucando o petiço
dizendo vamos Feitiço
pacholeou numa esbarrada
ficando a marca na estrada
bem na frente do bolicho

Guaiaca, bota e espora
bombacha e chapéu de pano
pra ficar igual ao mano
o piazito pachola
era bueno de cachola
comportado e obediente
sendo a razão dos presentes
seu interesse na escola

No seu petiço montado
este pequeno monarca
traz na sua própria marca
uma ânsia de aprender
e porque não se dizer
que um piá desta estampa
vai se agrandar neste pampa
na Estância do Saber


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

POIS É, TALVEZ, QUEM SABE?

Morava nas taquareiras,
peleando com a própria sina,
porque um dia sua china,
lhe traiu com um conhecido.
Viveu o resto da vida,
encharcado na bebida,
o descornado marido.

Apesar de ser purgante,
era um pobre vivente
e filho de boa gente,
como o povo dizia.
Mas será que a traição,
não foi a principal razão,
pela qual ele bebia?

Pois é, talvez, quem sabe?
Ninguém se importou com isto,
só enxergaram o vício,
naquele negro coitado.
Nunca lhe olharam por dentro,
pra descobrir o sentimento,
de viver embriagado.

Um dia o patrão do céu,
mandou que ele subisse
e com certeza alguém disse,
descansou o pobre negro,
que viveu sem ter um teto,
sem amor e sem afeto
e carente de um aconchego.

Seu rancho foi a ramada,
no meio das taquareiras.
Viveu a sua maneira,
no acampamento simplório,
onde apagaram as brasas,
daí levado pra casa,
pena que foi pra o velório!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SEM DÚVIDAS

Como não acreditar,
ao contemplarmos este céu azul,
que Deus é gaúcho
e foi Piá aqui no sul?