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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

TARDE VERANEIRA



O vento teve um descanso,
numa tarde veraneira
e as nuvens num jeito manso,
aguardavam na fileira
e se achavam bonitas
refletidas na água azul,
tal um cartão de visita
deste pago aqui do sul!

Os gaviões de bico afiados,
espreitam alguma changa
e os sabiás cantam afinados,
no capão junto as pitangas,
a estrada não tem poeira
e espera algum andante,
numa tarde veraneira,
na coxilha verdejante!
 
E assim passa o tempo,
com estas tardes no pago,
e quando volta o vento,
as nuvens vão a “lo largo”,
reunirem-se num rodeio,
quebrando então a quietude
e depois com fartos seios,
virão amamentar o açude!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ESTAÇÃO DO RENASCER


A primavera chegou
e o sabiá chegou com ela
acordo de manhã cedo
e ouço no arvoredo
a melodia mais bela

Igual uma flauta mágica
vai encantando a gente
nos leva por uns segundos
a viver em outros mundos
e nos traz de volta ao presente

As flores desabrocharam
perfumando a natureza
as folhas tem novo brilho
e o cantor no estribilho
dá mais encanto e beleza

O sol vai bordando a sombra
no terreiro estendida
vai enxugando o orvalho
e as abelhas no trabalho
colhem o néctar pra vida

Primavera, primavera
estação do renascer
no galho que regenera
pra árvore sobreviver

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

TARDE DIVINAL



...vi os gansos num alarde
se demonstrando com entono
pra dizer quem era o dono
do território naval
numa tarde divinal
dessas que fazem no outono

terça-feira, 10 de setembro de 2013

BISBILHOTANDO UM SURUNGO


Foto própria
Noticiaram no bolicho
que lá pras bandas do povo
havia um morador novo
que abrira uma bailanta
que tinha cinco percantas
uma mais linda que a outra
e a farra corria solta
entreverada na dança

Aproveitei minha folga
pra bisbilhotar o surungo
e num por-de-sol rubicundo
cerrei perna no gateado
cheiroso e bem pilchado
me enfurnei na campina
imaginando as chinas
retoçando pra o meu lado

Cheguei juntito com a noite
porém não fui o primeiro
se formava o entrevero
do macharedo na porta
e como não sou mosca morta
fiz a volta pelos fundos
e no estalar o surungo
já choveu na minha horta

Dancei a primeira marca
e me mandaram pra fora
pra que tirasse as esporas
e que pagasse a entrada
eu não gostei da mijada
mas me reservei na hora
e pendurei as esporas
contra o “S” da mi’adaga

Segui no mesmo tranquito
desenrolando o novelo
e alisando o cabelo
da morenaça crinuda
ela só fungava muda
mas o olhar dizia tudo
com os olhos de veludo
buena de dança e ancuda

Mas o ciúme é “cousa” triste
quando pega um descornado
e um piazito mijado
“co’a” canha encharcando a guampa
se avançou na “mi’a” percanta
como sendo o mandão
se coçando no facão
na coragem da água santa

Dei um trejeito no corpo
já protegendo a china
mandei um murro por cima
pra liquidar o retoço
testavilhou então o moço
mas se ajeitou novamente
e o facão reluzente
procurou o meu pescoço

Mais preocupado com a china
tava me vendo malito
meio no escuro e solito
e num aperto danado
passei ela pra o outro lado
ajeitando a ossamenta
e dei de mão na ferramenta
pra furar o desgraçado

Quando puxei a adaga
as esporas vieram junto
e resolvi o assunto
encolhendo um pouco o braço
mas segui batendo aço
porque a “cousa” tava feia
me esquivei numa volta e meia
e mandei certeiro um pontaço

E mesmo assim na penumbra
vi o sangue coloreando
o tal ciumento roncando
como porco na sangria
eu me mandei “a la cria”
antes de romper a aurora
e pra procurar as esporas
quem sabe volto outro dia